
"De politica estamos fatigados. Já nos basta o longo vocabulário de protesto
de Joan Baez. Só queremos fazer música simples e alegre."
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ÊLES sâo contra a pilula, a marijuana, o LSD, as relações pré-nupciais e afirmam nâo entender nada de revolta jovem e dizem apenas que "a alienacâo é um negócio próprio de quem é favorável a isso tudo". Peter, Barry, Keith, Karl e Derek só tiveram uma atitude de rebeldia em suas vidas quando se revoltaram contra os seus nomes de batismo. Peter virou Herman e o resto do grupo transformou-se nos eremitas de Peter, isto é: nos Herman's Hermits. Há três anos encontraram-se em Manchester. Barry era estudante universitário, Keith trabalhava com telefones, Karl era cabeleireiro, Derek fazia gravacões em metais. Peter - hoje Herman, o lider do conjunto - nunca teve emprêgo certo. No principio, pertenciam a grupos distintos de adolescentes entusiasmados pelo rock'n roll e viajavam de Manchester para Liverpool com suas roupas extravagantes e suas cabeças cheias de ilusðes. Ilusðes de sucesso nos bares de Liverpool, a meca do iê-iê, o primeiro reino encantado dos Beatles em sua cruzada musical. Nessa época, já se falava em LSD, em hippies, mas os cinco rapazes alegres de Manchester só desejavam uma coisa: mostrar que, com uma guitarra na mâo, podiam contribuir para a revoluçâo de ritmos que explodia na Inglaterra. Um dia, êles resolveram juntar seus talentos e, aproveitando-se de uma sonolência da beatlemania, invadiram as paradas de sucesso. A pureza que êles sempre inspiraram I'm Into Something Good foi o primeiro elepê gravado e lançado em Liverpool. Só nos Estados Unidos, foram vendidas mais de um milhâo de cópias. Mas seus dois maiores sucessos vieram depois: No Milk Today e Bus Stop, que, ao lado de There's a Kind of Hush, constituem o trio de fôrça de um repertório sem compromissos com as pesquisas avançadas dos Beatles, mas de uma pureza cativante. Foi essa pureza, aliás, o motivo de atraçâo do conjunto junto ás platéias adolescentes. E o que se viu aqui no Brasil, em Sâo Paulo, e no Canecâo do Rio, foi uma repetiçâo do que sempre acontece quando os Herman's Hermits se apresentam públicamente: um festival de sorrisos, palmas e refrões (Yeah! Hush! Hum, hum!).Mas quando falam do mundo os Hermits contradizem o que muita gente pensa ser o pensamento geral da juventude. "Nesse calor carioca - comentou Derek - eu prefiro dizer que nunca ouvi falar em Che Guevara. Você nâo prefere que eu diga que gostaria mesmo de estar numa praia? E bem deserta?" Após três anos de êxitos (já venderam 14 milhões de discos) e de entrevistas, os cremitas de Herman sabem driblar qualquer repórter, principalmente quando se fala em politica ou em assuntos mais sérios que näo o iê-iê. Para êles, o único problema do mundo é a rivalidade entre os conjuntos de música moderna e a vontade - que todos têm em acabar com o prestigio dos Beatles. "Ninguém pode pensar em fazer música para acabar com John Lennon e Paul McCartney", comenta Peter, enquanto relembra os primeiros anos de dificuldades que seu conjunto enfrentou em Liverpool. "Durante muito tempo, Liverpool foi o centro do iê-iê, para os inglêses, e nós pensamos diversas vêzes em abandonar o |
negócio tal a dificuldade de encontrar uma chance fora dos lugares cheios e enfumaçados, já näo freqüentados pelos empresários importantes." A luta pelo trono do iê-iê näo interessa aos cinco garotões de Manchester. Êles acompanham, a uma distância cautelosa, a rivalidade entre os Rolling Stones e os Beatles porque acreditam que há lugar para todo mundo no mercado de discos. "Nossa linha de açâo é tranqüila pois nossa música se utiliza dos ingredientes comuns do iê-iê, com guitarras elétricas e bateria. Embora acreditemos que o uso de sons inventados em estúdios seja uma experiência válida (e os Beatles vêm provando isso desde O Submarino Amarelo até A Day In Life), nós preferimos continuar assim, nessa simplicidade. O resultado é sempre bom, ou pelo menos tem sido, mesmo levando-se em conta a briga que tivemos, com os Rolling Stones. Êles andaram dizendo uma porçâo de coisas a nosso respeito, mas, quanto a isso nâo falaremos nada. É uma questâo encerrada." Em matéria de música brasileira, os Herman's Hermits só conhecem a Garôta de Ipanema. "Parece incrivel - diz Peter - mas essa é a única cancäo divulgada na Inglaterra. Näo entendemos por que a bossa nova näo chegou até nosso paìs, como aconteceu com os Estado Unidos. Será que vocês, por serem americanos, só preferem exportar seus produtos para os Estados Unidos?" Segundo Peter, "a única explosäo que conseguimos ver nessa juventude daqui é a mesma que existe na Inglaterra e näo achamos nada de muito sério nela, mesmo se formos obervar em têrmos sociais. Por exemplo: somos contra as relações pré-nupciais. Isso é uma questäo de fé. Näo é mais uma qestäo de fé em. Deus e na rainha, mas apenas em Deus. Embora näo sejamos puritanos, achamos que depois do casamento fica tudo mais certinho. Vocês näo acham? Com a ajuda de Deus, assim como se contròi um sucesso, ou um conjunto, pode de constuir também uma familia, ainda que ela tenha os dotes mais caros e razoáveis de uma familia em plena época tecnológica, na qual a juventude é uma questäo de espìrito e näo de idade. E sabem por qué? Porque o espirito dela está sentindo a transformaçäo muito rápida do homem dentro de um progresso utilizado para os fins mais diversos. Sôbre êsses fins preferimos nos manter calados." Uma forma de amor ao estilo medieval E as perspectivas da música moderna na Inglaterra? Keith tem uma opiniäo, segundo êle, objetiva: "As pessoas näo podem planejar o que vai acontecer daqui a seis meses. As coisas väo acontecendo. De semana em semana, algo de nôvo aparece. Ora surge um fenômeno eletrônico, um foguete que sobe ao espaço, ora um caso de amor, simples, alegre ou triste, que nos comove e dêle nós fazemos uma letra." Para os Herman's Hermits o amor de hoje se parece com o medieval e o fato de cantores franceses e italianos gravarem discos em inglês näo tem muita importância. Quando alguém indaga sôbre Johnny Hallyday. Peter pergunta com olhar espantado: "Johnny Hallyday? Em que dia cai?" (Holliday, em inglês, quer dizer feriado.) |